A lei de igualdade no espiritismo: o que a doutrina diz sobre riqueza, classe social e o lugar da mulher

A lei de igualdade é a nona das dez leis morais do espiritismo. Ela ocupa o capítulo IX da terceira parte de O Livro dos Espíritos, das questões 803 a 824, e trata de temas que continuam em disputa: desigualdade de aptidões, desigualdade de classes, herança, riqueza, miséria e a igualdade entre homem e mulher.

A Guatambu Travel organiza caravanas espíritas saindo de Porto Alegre para o Triângulo Mineiro. Aqui descrevemos o que a doutrina afirma, com a questão de cada citação para quem quiser conferir.

Todos os seres humanos são iguais, segundo a doutrina espírita?

A resposta é afirmativa e vem com uma imagem popular: “Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez suas leis para todos. Dizeis frequentemente: ‘O Sol luz para todos’ e enunciais assim uma verdade maior e mais geral do que pensais.” (O Livro dos Espíritos, questão 803)

Se somos iguais, por que as aptidões são tão diferentes?

A explicação recorre à reencarnação, e é o eixo do capítulo: “Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições.” (O Livro dos Espíritos, questão 804)

A diferença, portanto, é de trajetória, não de origem: “A diferença entre eles está na diversidade dos graus da experiência alcançada e da vontade com que obram, vontade que é o livre-arbítrio.” (O Livro dos Espíritos, questão 804)

E a obra sustenta que a variedade tem função: “Necessária é a variedade das aptidões, a fim de que cada um possa concorrer para a execução dos desígnios da Providência” (O Livro dos Espíritos, questão 804).

E a desigualdade social? É natural?

Aqui a resposta é de sete palavras, e não deixa margem: “Não; é obra do homem e não de Deus.” (O Livro dos Espíritos, questão 806)

Sobre o fim dessa desigualdade, a obra indica uma condição: “Desaparecerá quando o egoísmo e o orgulho deixarem de predominar. Restará apenas a desigualdade do merecimento.” (O Livro dos Espíritos, questão 806)

Sobre quem usa a posição para oprimir, a consequência anunciada é reencarnatória: “Merecem anátema! Ai deles! Serão, a seu turno, oprimidos: renascerão numa existência em que terão de sofrer tudo o que tiverem feito sofrer aos outros.” (O Livro dos Espíritos, questão 807)

O espiritismo defende a igualdade de riquezas?

Não, e é uma das respostas que mais surpreende quem espera uma doutrina igualitarista. Sobre a igualdade absoluta de riquezas: “Não; nem é possível. A isso se opõe a diversidade das faculdades e dos caracteres.” (O Livro dos Espíritos, questão 811)

E a crítica a quem propõe isso como remédio social é dura: “Combatei o egoísmo, que é a vossa chaga social, e não corrais atrás de quimeras.” (O Livro dos Espíritos, questão 811)

Sobre a origem das fortunas, a obra é cética: “Busca a fonte de tal riqueza e verás que nem sempre é pura. Sabes, porventura, se não se originou de uma espoliação ou de uma injustiça?” (O Livro dos Espíritos, questão 808)

Quanto a herdar bem mal adquirido, a responsabilidade não se transmite, mas a oportunidade sim: “É fora de dúvida que não são responsáveis pelo mal que outros hajam feito, sobretudo se o ignoram, como é possível que aconteça.” (O Livro dos Espíritos, questão 809) E, na mesma resposta: “muitas vezes, a riqueza só vem ter às mãos de um homem, para lhe proporcionar ensejo de reparar uma injustiça” (O Livro dos Espíritos, questão 809).

A relação entre propriedade e justiça é tratada em mais detalhe na lei de justiça, amor e caridade.

Riqueza e miséria são provas?

A obra trata as duas como prova, e recusa dizer qual é pior: “São-no tanto uma quanto outra. A miséria provoca as queixas contra a Providência, a riqueza incita a todos os excessos.” (O Livro dos Espíritos, questão 815)

Sobre o rico ter mais meios de fazer o bem, a resposta observa o que costuma acontecer: “Mas é justamente o que nem sempre faz. Torna-se egoísta, orgulhoso e insaciável. Com a riqueza, suas necessidades aumentam e ele nunca julga possuir o bastante para si unicamente.” (O Livro dos Espíritos, questão 816)

E, sobre quem cai na miséria por culpa própria, a obra ainda assim cobra da sociedade: “Certamente. Já dissemos que a sociedade é muitas vezes a principal culpada de semelhante coisa. Ademais, não tem ela que velar pela educação moral dos seus membros?” (O Livro dos Espíritos, questão 813)

O que a doutrina diz sobre homem e mulher?

A igualdade é afirmada por meio de uma pergunta de volta: “Não outorgou Deus a ambos a inteligência do bem e do mal e a faculdade de progredir?” (O Livro dos Espíritos, questão 817)

E a submissão feminina é atribuída à força, não à natureza: “Do predomínio injusto e cruel que sobre ela assumiu o homem. É resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre homens moralmente pouco adiantados, a força faz o direito.” (O Livro dos Espíritos, questão 818)

Sobre a diferença de força física implicar dependência, a resposta é negativa: “Deus a uns deu a força, para protegerem o fraco e não para o escravizarem.” (O Livro dos Espíritos, questão 820)

Sobre a importância do papel materno, a obra vai além da equivalência: “Sim, maior até. É ela quem lhe dá as primeiras noções da vida.” (O Livro dos Espíritos, questão 821)

Quanto à legislação, a obra defende igualdade de direitos e, no vocabulário do século XIX, atribui funções distintas a cada um: “Dos direitos, sim; das funções, não.” (O Livro dos Espíritos, questão 822) A mesma resposta é encerrada com um princípio geral que se manteve: “A lei humana, para ser equitativa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher.” (O Livro dos Espíritos, questão 822)

O critério de justiça que abre a questão 822 é o mesmo da lei de justiça: “O primeiro princípio de justiça é este: Não façais aos outros o que não quereríeis que vos fizessem.” (O Livro dos Espíritos, questão 822)

E os monumentos fúnebres?

O capítulo termina no cemitério, que a obra usa como demonstração final da igualdade. Sobre o desejo de perpetuar a memória em túmulos suntuosos, a resposta tem quatro palavras: “Último ato de orgulho.” (O Livro dos Espíritos, questão 823)

Mas a obra não condena a homenagem em si: “Não; quando se tenha em vista honrar a memória de um homem de bem, é justo e de bom exemplo.” (O Livro dos Espíritos, questão 824)

Onde ler esta lei por conta própria

O capítulo inteiro está em O Livro dos Espíritos, terceira parte, capítulo IX, questões 803 a 824, dividido em cinco seções: igualdade natural, desigualdade das aptidões, desigualdade das riquezas, provas de riqueza e de miséria, e igualdade dos direitos do homem e da mulher.

A obra está disponível em PDF, com acesso gratuito, na área de downloads da Federação Espírita Brasileira.

Como esta lei aparece dentro de uma casa espírita?

O capítulo trata da igualdade dos direitos e da desigualdade das riquezas, e uma casa espírita é um dos poucos lugares onde não há assento melhor nem pior. Quem quiser ver isso de perto encontra o roteiro da caravana espírita da Guatambu Travel, saindo de Porto Alegre, na landing da caravana.

E se o grupo já existe, o caminho é outro. Centro espírita, grupo de estudo ou família grande que quer levar a própria gente não precisa comprar assento avulso: a Guatambu Travel intermedia a locação do ônibus com transportadoras parceiras, sem frota própria, e monta o roteiro para aquele grupo fechado. Como isso funciona, o que a lei exige da transportadora e como conferir a empresa está em fretamento de ônibus para grupos. Quem organiza viagem em outro estado e precisa de apoio no Rio Grande do Sul encontra o equivalente em receptivo para grupos.

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Este texto faz parte de uma série sobre as dez leis morais do espiritismo, publicada pela Guatambu Travel.

Fontes

Todas as citações deste texto foram conferidas questão por questão contra a edição indicada acima.