As dez leis morais do espiritismo: quais são e o que cada uma diz

O espiritismo organiza a conduta humana em dez leis morais, descritas na terceira parte de O Livro dos Espíritos, das questões 614 a 919. Elas são: adoração, trabalho, reprodução, conservação, destruição, sociedade, progresso, igualdade, liberdade e, por último, a lei de justiça, amor e caridade.

Essa lista não é interpretação de ninguém: está escrita na própria obra, na questão 648, junto com a ressalva de que a divisão é uma classificação útil e não um dogma fechado. Este texto apresenta as dez, com a faixa de questões de cada uma, para que qualquer leitor possa conferir na fonte.

A Guatambu Travel organiza caravanas espíritas saindo de Porto Alegre para o Triângulo Mineiro, e publica esta série porque essas perguntas aparecem o tempo todo entre quem viaja com a gente e entre quem está começando a estudar. Aqui descrevemos o que a doutrina afirma, sem tentar provar nem negar nada.

O que são as leis morais no espiritismo?

São a parte da lei natural que trata do comportamento, e não da matéria. A obra define a lei natural de forma ampla: “A lei natural é a Lei de Deus. É a única verdadeira para a felicidade do homem. Indica-lhe o que deve fazer ou deixar de fazer e ele só é infeliz quando dela se afasta.” (O Livro dos Espíritos, questão 614)

E separa as duas famílias de leis numa frase só: “Todas as da Natureza são leis divinas, pois que Deus é o autor de tudo. O sábio estuda as leis da matéria, o homem de bem estuda e pratica as da alma.” (O Livro dos Espíritos, questão 617)

Perguntada sobre onde essa lei estaria escrita, a resposta da obra é de uma palavra: “Na consciência.” (O Livro dos Espíritos, questão 621)

De onde vem a divisão em dez leis?

Da própria obra, que declara a origem da classificação e relativiza o seu peso. A pergunta apresenta as dez por nome, e a resposta diz: “Essa divisão da Lei de Deus em dez partes é a de Moisés e de natureza a abranger todas as circunstâncias da vida, o que é essencial.” (O Livro dos Espíritos, questão 648)

Na mesma resposta, a obra avisa que a última lei é a mais importante e que a divisão não tem “qualquer coisa de absoluta, como não o tem nenhum dos outros sistemas de classificação” (O Livro dos Espíritos, questão 648). Vale reter isso: quem estuda espiritismo encontra outras organizações do mesmo material, e nenhuma contradiz a doutrina por isso.

Como o espiritismo distingue o bem do mal?

Por um critério declarado, e não por lista de proibições. A definição de moral vem primeiro: “A moral é a regra de bem proceder, isto é, de distinguir o bem do mal. Funda-se na observância da Lei de Deus.” (O Livro dos Espíritos, questão 629)

Em seguida a obra dá o critério prático, citando o Evangelho: “Jesus disse: vede o que queríeis que vos fizessem ou não vos fizessem. Tudo se resume nisso. Não vos enganareis.” (O Livro dos Espíritos, questão 632)

E introduz a ideia de responsabilidade graduada, que atravessa as dez leis: “A Lei de Deus é a mesma para todos, porém o mal depende principalmente da vontade que se tenha de o praticar. O bem é sempre o bem e o mal sempre o mal, qualquer que seja a posição do homem. Diferença só há quanto ao grau da responsabilidade.” (O Livro dos Espíritos, questão 636)

Há ainda dois pontos que costumam surpreender quem chega agora. O primeiro é que não fazer o mal não basta: “Não; cumpre-lhe fazer o bem no limite de suas forças, porquanto responderá por todo mal que haja resultado de não haver praticado o bem.” (O Livro dos Espíritos, questão 642) O segundo é que aproveitar-se do mal alheio equivale a praticá-lo: “Aproveitar do mal é participar dele.” (O Livro dos Espíritos, questão 640)

Lei de adoração, questões 649 a 673

Trata da relação direta entre a pessoa e Deus, antes de qualquer rito. A definição é simples: “Na elevação do pensamento a Deus. Deste, pela adoração, aproxima o homem sua alma.” (O Livro dos Espíritos, questão 649)

A obra considera esse sentimento anterior a qualquer ensino religioso: “Sentimento inato, como o da existência de Deus.” (O Livro dos Espíritos, questão 650) O capítulo discute ainda a adoração exterior, a prece e a vida contemplativa.

Texto completo desta lei: A lei de adoração no espiritismo.

Lei do trabalho, questões 674 a 685

Coloca o trabalho como necessidade natural, e não como castigo: “O trabalho é Lei da Natureza, por isso mesmo que constitui uma necessidade, e a civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque lhe aumenta as necessidades e os gozos.” (O Livro dos Espíritos, questão 674)

E alarga a definição para muito além do esforço físico: “Não; o Espírito trabalha, assim como o corpo. Toda ocupação útil é trabalho.” (O Livro dos Espíritos, questão 675) É o capítulo que trata também do limite do trabalho e do direito ao repouso.

Texto completo desta lei: A lei do trabalho no espiritismo.

Lei de reprodução, questões 686 a 701

Parte de uma constatação: “Evidentemente. Sem a reprodução, o mundo corporal pereceria.” (O Livro dos Espíritos, questão 686) O capítulo trata da população do globo, da sucessão das espécies e dos obstáculos à reprodução.

Texto completo desta lei: A lei de reprodução no espiritismo.

Lei de conservação, questões 702 a 727

É a contrapartida da lei de destruição, e explica por que o ser quer viver: “Sem dúvida. Todos os seres vivos o possuem, qualquer que seja o grau de sua inteligência.” (O Livro dos Espíritos, questão 702)

A finalidade declarada é o aperfeiçoamento: “Acresce que a vida é necessária ao aperfeiçoamento dos seres.” (O Livro dos Espíritos, questão 703) O capítulo trata ainda dos meios de conservação, do necessário e do supérfluo e do gozo dos bens da Terra.

Texto completo desta lei: A lei de conservação no espiritismo.

Lei de destruição, questões 728 a 765

É a lei que responde às perguntas mais duras: por que a natureza destrói, o que dizer das tragédias coletivas, da guerra, do assassínio, da crueldade e da pena de morte. A chave está logo na abertura: “Preciso é que tudo se destrua para renascer e se regenerar. Porque, o que chamais destruição não passa de uma transformação, que tem por fim a renovação e melhoria dos seres vivos.” (O Livro dos Espíritos, questão 728)

Texto completo desta lei: A lei de destruição no espiritismo.

Lei de sociedade, questões 766 a 775

Afirma que viver junto é da natureza humana: “Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.” (O Livro dos Espíritos, questão 766)

E recusa o isolamento como caminho: “Sem dúvida, pois que por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente.” (O Livro dos Espíritos, questão 767) O capítulo trata também dos laços de família.

Texto completo desta lei: A lei de sociedade no espiritismo.

Lei do progresso, questões 776 a 802

Separa duas coisas que se confundem com facilidade: “Não, o estado de natureza é o estado primitivo. A civilização é incompatível com o estado de natureza, ao passo que a lei natural contribui para o progresso da Humanidade.” (O Livro dos Espíritos, questão 776)

É o capítulo que discute a marcha do progresso, a civilização e o progresso da legislação humana.

Texto completo desta lei: A lei do progresso no espiritismo.

Lei de igualdade, questões 803 a 824

Começa pela igualdade de origem: “Sim, todos tendem para o mesmo fim e Deus fez suas leis para todos.” (O Livro dos Espíritos, questão 803)

E explica a diferença visível entre as pessoas pelo tempo de caminhada de cada Espírito: “Deus criou iguais todos os Espíritos, mas cada um destes vive há mais ou menos tempo, e, conseguintemente, tem feito maior ou menor soma de aquisições.” (O Livro dos Espíritos, questão 804)

O capítulo trata ainda da desigualdade das riquezas e das provas de riqueza e de miséria.

Texto completo desta lei: A lei de igualdade no espiritismo.

Lei de liberdade, questões 825 a 872

Nega de saída a liberdade absoluta: “Não, porque todos precisais uns dos outros, assim os pequenos como os grandes.” (O Livro dos Espíritos, questão 825)

É o maior capítulo das dez leis, e o que trata da escravidão, da liberdade de pensar, da liberdade de consciência, do livre-arbítrio, da fatalidade e da responsabilidade dos atos.

Texto completo desta lei: A lei de liberdade no espiritismo.

Lei de justiça, amor e caridade, questões 873 a 892

É apontada pela própria obra como a mais importante das dez. Sobre a origem do senso de justiça: “Está de tal modo na natureza, que vos revoltais à simples ideia de uma injustiça.” (O Livro dos Espíritos, questão 873)

A definição é curta: “A justiça consiste em cada um respeitar os direitos dos demais.” (O Livro dos Espíritos, questão 875)

E a caridade, no sentido que a doutrina adota, é bem mais larga do que esmola: “Benevolência para com todos, indulgência para as imperfeições dos outros, perdão das ofensas.” (O Livro dos Espíritos, questão 886)

Texto completo desta lei: A lei de justiça, amor e caridade.

Onde ler as dez leis por conta própria

Todas estão na terceira parte de O Livro dos Espíritos, que se chama justamente Das Leis Morais. O capítulo I apresenta a lei natural, os capítulos II a XI trazem uma lei cada um, e o capítulo XII, Da perfeição moral, fecha a parte com as virtudes, os vícios, as paixões e o egoísmo.

A Federação Espírita Brasileira publica as obras básicas de Allan Kardec em PDF, com acesso gratuito, na área de downloads do site. A edição usada aqui é a da FEB, com tradução de Guillon Ribeiro.

Um aviso prático para quem for conferir: a numeração das questões só corresponde à edição definitiva, com 1.019 questões. Em edições e traduções diferentes o texto muda, embora o número costume ser o mesmo.

Onde as dez leis deixam de ser leitura e viram roteiro?

As dez leis morais foram escritas para serem vividas, e quem estuda a doutrina costuma querer, em algum momento, ver de perto os lugares onde ela foi vivida no Brasil. A Guatambu Travel opera a caravana espírita a Minas Gerais saindo de Porto Alegre, passando por Uberaba, Sacramento, Araxá e Pedro Leopoldo, com o roteiro na landing da caravana espírita.

E se o grupo já existe, o caminho é outro. Centro espírita, grupo de estudo ou família grande que quer levar a própria gente não precisa comprar assento avulso: a Guatambu Travel intermedia a locação do ônibus com transportadoras parceiras, sem frota própria, e monta o roteiro para aquele grupo fechado. Como isso funciona, o que a lei exige da transportadora e como conferir a empresa está em fretamento de ônibus para grupos. Quem organiza viagem em outro estado e precisa de apoio no Rio Grande do Sul encontra o equivalente em receptivo para grupos.

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Esta é a página que abre a série sobre as dez leis morais, publicada pela Guatambu Travel. Conforme cada lei ganhar o seu texto, o link entra aqui.

Fontes

Todas as citações deste texto foram conferidas questão por questão contra a edição indicada acima.