A lei de sociedade no espiritismo: por que a doutrina condena o isolamento

A lei de sociedade é a sétima das dez leis morais do espiritismo. Ela ocupa o capítulo VII da terceira parte de O Livro dos Espíritos, das questões 766 a 775, e é o capítulo mais curto da série, com dez questões. Em compensação, é um dos mais incisivos: afirma que viver em sociedade é lei natural, e trata o isolamento voluntário como falha moral, não como virtude.

A Guatambu Travel organiza caravanas espíritas saindo de Porto Alegre para o Triângulo Mineiro, e esta é a lei que explica por que a doutrina se organiza em reuniões, casas espíritas e grupos, em vez de prática solitária. Aqui descrevemos o que a doutrina afirma, com a questão de cada citação para quem quiser conferir.

Por que viver em sociedade é lei natural?

Porque a obra vê nas próprias faculdades humanas a prova da destinação: “Certamente. Deus fez o homem para viver em sociedade. Não lhe deu inutilmente a palavra e todas as outras faculdades necessárias à vida de relação.” (O Livro dos Espíritos, questão 766)

O isolamento absoluto é classificado como contrário a essa lei: “Sem dúvida, pois que por instinto os homens buscam a sociedade e todos devem concorrer para o progresso, auxiliando-se mutuamente.” (O Livro dos Espíritos, questão 767)

E a razão de fundo é o progresso, que a obra considera impossível sozinho: “O homem tem que progredir. Insulado, não lhe é isso possível, por não dispor de todas as faculdades. Falta-lhe o contato com os outros homens. No insulamento, ele se embrutece e estiola.” (O Livro dos Espíritos, questão 768)

Mas e quem simplesmente gosta de viver só?

A obra não aceita o gosto pessoal como justificativa, e responde com uma comparação desconfortável: “Satisfação egoísta. Também há homens que experimentam satisfação na embriaguez. Merece-te isso aprovação?” (O Livro dos Espíritos, questão 769)

O critério, de novo, é a utilidade para os outros: “Não pode agradar a Deus uma vida pela qual o homem se condena a não ser útil a ninguém.” (O Livro dos Espíritos, questão 769)

Sobre quem se recolhe para fugir do contato do mundo, a resposta cabe em duas palavras: “Duplo egoísmo.” (O Livro dos Espíritos, questão 770)

E quando se argumenta que o retiro seria uma expiação penosa, a obra devolve outro padrão de medida: “Fazer maior soma de bem do que de mal constitui a melhor expiação. Evitando um mal, aquele que por tal motivo se insula cai noutro, pois esquece a lei de amor e de caridade.” (O Livro dos Espíritos, questão 770)

É a mesma crítica que aparece na lei de adoração contra a vida puramente contemplativa, e na lei de conservação contra as mortificações inúteis.

Existe retiro que a doutrina aprova?

Existem dois, e a obra os distingue com clareza. O primeiro é o de quem se afasta para servir: “Esses se elevam, rebaixando-se. Têm o duplo mérito de se colocarem acima dos gozos materiais e de fazerem o bem, obedecendo à lei do trabalho.” (O Livro dos Espíritos, questão 771)

O segundo é o de quem precisa de silêncio para trabalhar: “Isso não é retraimento absoluto do egoísta. Esses não se insulam da sociedade, porquanto para ela trabalham.” (O Livro dos Espíritos, questão 771)

E o voto de silêncio?

A obra separa o recolhimento, que aprova, do voto, que recusa. Sobre a utilidade do silêncio, a resposta é favorável quando ele serve ao recolhimento. Sobre o voto em si, a avaliação é de quatro palavras: “O voto de silêncio, porém, é uma tolice.” (O Livro dos Espíritos, questão 772)

O princípio geral que sustenta a recusa vale para todo o capítulo: “Deus condena o abuso e não o uso das faculdades que lhe outorgou.” (O Livro dos Espíritos, questão 772)

O que a doutrina diz sobre a família?

O capítulo fecha com os laços familiares, respondendo a quem argumenta, a partir do comportamento dos animais, que a família é só convenção social. A obra separa os dois casos: “Os animais vivem vida material e não vida moral. A ternura da mãe pelos filhos tem por princípio o instinto de conservação dos seres que ela deu à luz.” (O Livro dos Espíritos, questão 773)

E afirma a diferença de destino: “Há no homem alguma coisa mais, além das necessidades físicas: há a necessidade de progredir. Os laços sociais são necessários ao progresso e os de família mais apertados tornam os primeiros. Eis por que os segundos constituem uma Lei da Natureza.” (O Livro dos Espíritos, questão 774)

Perguntada sobre o que aconteceria se esses laços afrouxassem, a resposta tem cinco palavras: “Uma recrudescência do egoísmo.” (O Livro dos Espíritos, questão 775)

Onde ler esta lei por conta própria

O capítulo inteiro está em O Livro dos Espíritos, terceira parte, capítulo VII, questões 766 a 775, dividido em duas seções: necessidade da vida social, e vida de isolamento e voto de silêncio.

A obra está disponível em PDF, com acesso gratuito, na área de downloads da Federação Espírita Brasileira.

Por que esta lei se entende melhor viajando em grupo?

O capítulo diz que a vida social é lei da natureza e que o isolamento contraria essa lei. Viajar com quarenta pessoas que estudam a mesma coisa é a demonstração prática disso. A Guatambu Travel opera a caravana espírita a Minas Gerais saindo de Porto Alegre, descrita na landing da caravana.

E se o grupo já existe, o caminho é outro. Centro espírita, grupo de estudo ou família grande que quer levar a própria gente não precisa comprar assento avulso: a Guatambu Travel intermedia a locação do ônibus com transportadoras parceiras, sem frota própria, e monta o roteiro para aquele grupo fechado. Como isso funciona, o que a lei exige da transportadora e como conferir a empresa está em fretamento de ônibus para grupos. Quem organiza viagem em outro estado e precisa de apoio no Rio Grande do Sul encontra o equivalente em receptivo para grupos.

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Este texto faz parte de uma série sobre as dez leis morais do espiritismo, publicada pela Guatambu Travel.

Fontes

Todas as citações deste texto foram conferidas questão por questão contra a edição indicada acima.