A lei de reprodução no espiritismo: casamento, celibato e o que a doutrina diz sobre a família
A lei de reprodução é a quarta das dez leis morais do espiritismo. Ela ocupa o capítulo IV da terceira parte de O Livro dos Espíritos, das questões 686 a 701, e é onde a doutrina trata de casamento, indissolubilidade, celibato voluntário e poligamia. É um capítulo que responde a perguntas muito concretas de quem está conhecendo o espiritismo vindo de outra religião.
A Guatambu Travel organiza caravanas espíritas saindo de Porto Alegre para o Triângulo Mineiro. Aqui descrevemos o que a doutrina afirma, com a questão de cada citação para quem quiser conferir.
Por que a reprodução é tratada como lei natural?
Por uma razão de continuidade, respondida em uma linha: “Evidentemente. Sem a reprodução, o mundo corporal pereceria.” (O Livro dos Espíritos, questão 686)
O capítulo também enfrenta o medo do excesso populacional, que já era discutido na época em que a obra foi escrita: “Não, Deus a isso provê e mantém sempre o equilíbrio. Ele coisa alguma inútil faz. O homem, que apenas vê um canto do quadro da Natureza, não pode julgar da harmonia do conjunto.” (O Livro dos Espíritos, questão 687)
O espiritismo é a favor do casamento?
Sim, e o classifica como avanço, não como imposição religiosa. Perguntada se o casamento contraria a lei natural, a resposta é de três palavras: “É um progresso na marcha da Humanidade.” (O Livro dos Espíritos, questão 695)
Sobre o que aconteceria se fosse abolido: “Seria uma regressão à vida dos animais.” (O Livro dos Espíritos, questão 696)
E sobre o fundamento que a obra considera legítimo para a união, no trecho em que trata da poligamia: “O casamento, segundo as vistas de Deus, tem que se fundar na afeição dos seres que se unem.” (O Livro dos Espíritos, questão 701)
O espiritismo aceita o divórcio?
Este é o ponto em que a doutrina se separa com mais nitidez da posição católica da época. Perguntada se a indissolubilidade absoluta do casamento está na lei natural ou na lei humana, a resposta é explícita: “É uma lei humana muito contrária à da Natureza, mas os homens podem modificar suas leis; só as da Natureza são imutáveis.” (O Livro dos Espíritos, questão 697)
Outras diferenças entre as duas crenças estão reunidas em Allan Kardec e o espiritismo.
E o celibato? A doutrina condena?
Depende do motivo, e a obra distingue os dois casos na mesma sequência de questões. Sobre o celibato como estado de perfeição em si: “Não, e os que assim vivem, por egoísmo, desagradam a Deus e enganam o mundo.” (O Livro dos Espíritos, questão 698)
Mas quando a renúncia serve a outra pessoa, a avaliação inverte: “Isso é muito diferente. Eu disse: por egoísmo. Todo sacrifício pessoal é meritório, quando feito para o bem. Quanto maior o sacrifício, tanto maior o mérito.” (O Livro dos Espíritos, questão 699)
É a mesma lógica de utilidade que aparece na lei do trabalho e na crítica à vida contemplativa, na lei de adoração.
O que a obra diz sobre poligamia?
Trata como estágio social superado, e não como pecado individual: “A poligamia é lei humana cuja abolição marca um progresso social.” (O Livro dos Espíritos, questão 701)
O argumento que acompanha é numérico, e se apoia na questão anterior sobre a proporção entre os sexos: “Sim, porquanto tudo, na Natureza, tem um fim.” (O Livro dos Espíritos, questão 700)
Controle de natalidade e intervenção humana
O capítulo trata do tema com uma regra geral e uma exceção. A regra: “Tudo o que embaraça a Natureza em sua marcha é contrário à lei geral.” (O Livro dos Espíritos, questão 693)
A exceção aparece na mesma questão, quando se pergunta sobre espécies cuja reprodução indefinida seria nociva: “Deus concedeu ao homem, sobre todos os seres vivos, um poder de que ele deve usar, sem abusar. Pode, pois, regular a reprodução, de acordo com as necessidades. Não deve opor-se-lhe sem necessidade.” (O Livro dos Espíritos, questão 693)
E há uma censura específica ao que a obra chama de uso voltado só à sensualidade: “Isso prova a predominância do corpo sobre a alma e quanto o homem é material.” (O Livro dos Espíritos, questão 694)
A parte do capítulo que soa datada
Entre as questões 688 e 692, o capítulo traz uma seção sobre sucessão e aperfeiçoamento das raças, com o vocabulário científico do século XIX. É honesto dizer que essa linguagem envelheceu, e que a própria edição da Federação Espírita Brasileira acompanha esse trecho de nota explicativa.
O conteúdo doutrinário que a obra extrai dali, no entanto, é sobre reencarnação e não sobre hierarquia entre povos: “São os mesmos Espíritos que voltaram, para se aperfeiçoar em novos corpos, mas que ainda estão longe da perfeição.” (O Livro dos Espíritos, questão 689)
E, sobre a origem comum, a resposta é de unidade: “Como todas pertencem, porém, à grande família humana, qualquer que tenha sido o tronco de cada uma, elas puderam aliar-se entre si e produzir tipos novos.” (O Livro dos Espíritos, questão 690)
Sobre o melhoramento de raças animais e vegetais pela ciência, a obra é favorável: “Tudo se deve fazer para chegar à perfeição e o próprio homem é um instrumento de que Deus se serve para atingir seus fins.” (O Livro dos Espíritos, questão 692)
Onde ler esta lei por conta própria
O capítulo inteiro está em O Livro dos Espíritos, terceira parte, capítulo IV, questões 686 a 701, dividido em três seções: sucessão e aperfeiçoamento das raças, obstáculos à reprodução, e casamento e celibato.
A obra está disponível em PDF, com acesso gratuito, na área de downloads da Federação Espírita Brasileira.
Este assunto aparece nas conversas de uma caravana?
Aparece, e quase sempre pela porta da reencarnação, que é o tema vizinho deste capítulo. É o tipo de conversa que rende mais numa viagem de grupo do que numa leitura solitária. A Guatambu Travel opera a caravana espírita a Minas Gerais saindo de Porto Alegre, com o roteiro na landing da caravana.
E se o grupo já existe, o caminho é outro. Centro espírita, grupo de estudo ou família grande que quer levar a própria gente não precisa comprar assento avulso: a Guatambu Travel intermedia a locação do ônibus com transportadoras parceiras, sem frota própria, e monta o roteiro para aquele grupo fechado. Como isso funciona, o que a lei exige da transportadora e como conferir a empresa está em fretamento de ônibus para grupos. Quem organiza viagem em outro estado e precisa de apoio no Rio Grande do Sul encontra o equivalente em receptivo para grupos.
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Este texto faz parte de uma série sobre as dez leis morais do espiritismo, publicada pela Guatambu Travel.
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Fontes
- KARDEC, Allan. O Livro dos Espíritos. Tradução de Guillon Ribeiro. Brasília: Federação Espírita Brasileira, 93a edição (Edição Histórica), 2026. ISBN 978-85-7328-728-8. Terceira parte, capítulo IV, questões 686 a 701. Original francês: Le Livre des esprits, Paris, 1857.
- Federação Espírita Brasileira, área de downloads das obras de Allan Kardec: https://febnet.org.br/categorias-download/obras-kardec-basicas/ Fonte: https://febnet.org.br/_downloads/o-livro-dos-espiritos/, lido em 11/09/2026.
Todas as citações deste texto foram conferidas questão por questão contra a edição indicada acima.
